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Brasil tem 57 mil mortes por ano associadas ao consumo de ultraprocessados

Publicado: Quarta, 09 de Novembro de 2022, 09h47 | Acessos: 4711
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Levantamento revela que óbitos ultrapassam homicídios no país

 

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Alimentos ultraprocessados são carregados de sódio, açúcar e gordura saturada 

Por Denis Dana

Pesquisadores(as) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade de São Paulo (USP), da Fiocruz e da Universidad de Santiago de Chile realizaram um levantamento de dados relacionados ao consumo de ultraprocessados. Somente no Brasil, estima-se que eles podem causar a morte prematura de 57 mil pessoas por ano, superando até mesmo o número de vítimas de homicídio no país. O estudo, divulgado no periódico American Journal of Preventive Medicine, teve como base dados de 2019, ano em que, de acordo com o Atlas da Violência, o país registrou 45,5 mil homicídios.

Foram chamadas de mortes prematuras as vidas perdidas de pessoas com idade entre 30 e 69 anos. Os ultraprocessados foram categorizados como formulações industriais produzidas com partes de alimentos e misturados com aditivos sintetizados em laboratórios, como conservantes e outros ingredientes. A lista de ultraprocessados contempla itens como alimentos congelados e embutidos (pizzas, salsichas e nuggets), além de refrigerantes, salgadinhos vendidos em pacote e outros carregados de sódio, açúcar e gordura saturada.

Para Leandro Rezende, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) e um dos autores do estudo, “o modelo de cálculo que permitiu chegar ao expressivo número de mortes levou em conta o crescente conjunto de pesquisas evidenciando cada vez mais a relação entre o consumo desses produtos e o aumento de peso e o maior risco de várias doenças, como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer”.

Além da associação dos alimentos ultraprocessados com as doenças citadas, Rezende revela que o levantamento também ressalta o impacto desse consumo em outros aspectos ligados à saúde. “Eles apresentam baixo perfil nutricional, provocam alterações na microbiota intestinal e ampliam o risco de mecanismos inflamatórios, sem contar o fato de que seus processos químicos de produção podem ser acompanhados de neocontaminantes, sendo bastante prejudiciais para quem os consome”, explica Rezende.

Modelo de cálculo

Para se chegar no número estimado de mortes, os(as) pesquisadores(as) utilizaram como elementos do cálculo informações da última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), com informações de 2017 e 2018 acerca do percentual de participação dos alimentos ultraprocessados no total de calorias ingeridas, dados demográficos e de mortalidade para 2019. Também foram usados os dados de uma vasta pesquisa que revisou sistematicamente estudos sobre a associação entre o consumo de ultraprocessados e o aumento no risco de mortalidade geral, o que ajudou a chegar aos riscos relativos a cada faixa de consumo desse tipo de alimento.

Assim, em 2019, das mais de 540 mil mortes de pessoas entre 30 e 69 anos no país, os(as) pesquisadores(as) conseguiram estimar que 57 mil foram atribuíveis ao consumo de ultraprocessados, sendo a maior parte (60%) ocorrida entre homens e pessoas com idade entre 50 e 69 anos (68%).

O estudo calculou ainda a porcentagem de óbitos evitados caso os(as) brasileiros(as) diminuíssem o consumo de ultraprocessados. Se a redução fosse de 10%, 5,9 mil vidas seriam poupadas. Com 20% de redução, o país teria evitado 12 mil mortes e, com uma redução de 50%, seriam poupadas mais de 29 mil vidas.

Os números, de acordo com Leandro Rezende, trazem um alerta importante e urgente para a mudança no consumo de cada brasileiro(a). “Hoje estima-se que, no país, 19,7% do total de calorias ingeridas venham do consumo de alimentos ultraprocessados. Contudo, caso nada seja feito, essa porcentagem crescerá e poderemos chegar ao mesmo cenário dos Estados Unidos: mais de 50% do total de calorias ingeridas vêm de alimentos ultraprocessados. Trata-se de um tema de interesse nacional e que demanda sérias políticas públicas, de forma a frear esse tipo de consumo, mudar o comportamento alimentar do(a) brasileiro(a) e garantir, assim, mais saúde para a população brasileira”, conclui Rezende.

 

Fonte: DCI/Unifesp

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