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Asfixia Perinatal e o "Minuto de Ouro" da assistência ao recém-nascido

Publicado: Quinta, 10 de Setembro de 2020, 16h01 | Última atualização em Segunda, 14 de Setembro de 2020, 14h04

 Campanha #SetembroVerdeEsperança

O nascimento de um bebê é a mais dramática transição fisiológica da vida humana. Em nenhum outro momento, o risco de morte ou lesão cerebral é tão elevado. Apesar de a maioria dos recém-nascidos nascer com boa vitalidade, parte deles precisa de ajuda para que os pulmões assumam o papel da placenta na oxigenação dos órgãos e sistemas e para que o aparelho circulatório adapte o transporte de sangue oxigenado para um padrão compatível com a centralidade dos pulmões.

Estudos epidemiológicos mostram que um em cada dez recém-nascidos precisa de ajuda para fazer a transição da vida intrauterina para a extrauterina.

Eventualmente, condições obstétricas diversas podem causar uma diminuição do fluxo sanguíneo placentário durante o trabalho de parto ou no próprio parto, com baixa concentração de oxigênio no sangue que chega ao concepto e dificuldade de adaptação cardiorrespiratória ao ambiente extrauterino,  o que pode levar à disfunção múltiplos órgãos e culminar na morte. É a chamada hipóxia ou asfixia ao nascer, condição para a qual há necessidade de procedimentos invasivos para manter a vida daquele paciente que, paradoxalmente, está no início da vida. Tais intervenções são chamadas de manobras ou procedimentos de reanimação neonatal.

 

 asfixia

Clque na imagem para ver no tamanho original. Fonte: SBP

 

De maneira mais específica, logo após o nascimento, um em cada dez nascidos vivos necessita de ventilação com pressão positiva para iniciar e/ou manter movimentos respiratórios efetivos; um em cada 100 recém-nascidos requer intubação traqueal e/ou massagem cardíaca; e um em cada 1.000 tem necessidade de intubação, massagem cardíaca e medicações, desde que a ventilação seja aplicada adequadamente.

 

O Setembro Verde Esperança

O movimento foi lançado pelo Instituto Protegendo Cérebros Salvando Futuros, entidade sem fins lucrativos e liderada por um grupo de profissionais de saúde preocupados com o alto número de bebês que evoluem com graves lesões neurológicas após insultos no período neonatal. 

setembro verde

Essa campanha escolheu o Verde Esperança para conscientizar a população de que com tratamento adequado podemos minimizar o profundo impacto socioeconômico dessa doença em nosso país.

 

Primeiro minuto de vida

No Brasil, estima-se que 300.000 crianças a cada ano necessitem de ajuda para iniciar e manter a respiração ao nascer, o que deve ser feito nos primeiros 60 segundos após o nascimento, denominado “Minuto de Ouro”. A assistência adequada ao recém-nascido na sala de parto é fundamental para prevenir a morte e a ocorrência de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor nos sobreviventes.

 

Capacitação profissional

O treinamento dos profissionais de saúde em reanimação neonatal constitui-se em estratégia relativamente simples e não onerosa para diminuir a mortalidade neonatal e melhorar o prognóstico dos recém-nascidos que enfrentaram dificuldades na mudança da vida intrauterina para a extrauterina. A educação e as habilidades adquiridas pelos profissionais resultam inquestionavelmente em benefício importante à população.

A participação regular em cursos de reanimação neonatal estruturados é imperativa para toda a equipe que trabalha na sala de parto.

É importante frisar que o risco de morte ou morbidade do recém-nascido aumenta em 16% a cada 30 segundos de demora para iniciar a ventilação após o nascimento, de modo independente do peso ao nascer, da idade gestacional ou de complicações na gravidez ou no parto. Estima-se que o atendimento ao parto por profissionais de saúde habilitados possa reduzir em 20-30% as taxas de mortalidade neonatal, enquanto o emprego das técnicas de reanimação preconizadas peos diversos grupos internacionais que trabalham no tema resulte em diminuição adicional de 5-20% nestas taxas, levando à redução de até 45% das mortes neonatais por asfixia.

 

Programa de Reanimação Neonatal

reanimação neonatalO Programa de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria (PRN-SBP), iniciado em 1994 e coordenado desde 2007 por duas docentes da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), carrega esses dados em seu coração e faz da possibilidade de melhorar o prognóstico dos recém-nascidos de nosso país, por meio da educação continuada dos profissionais de saúde, a sua razão de ser.

Sempre atento à sua missão, o PRN já capacitou mais de 117.000 profissionais de saúde para o atendimento ao recém-nascido na sala de parto, contando com cerca de 1.200 instrutores em 236 municípios do país e constituindo-se, por sua abrangência, no segundo maior programa do mundo, atrás apenas do programa norte-americano.  

O sucesso de capilarização por todo o Brasil, cujo ensino se baseia em práticas avaliadas pelas melhores evidências disponíveis e amplamente discutidas em nível internacional e nacional, permite que, no espírito do Setembro Verde Esperança, tenhamos a possibilidade de almejar que  cada nascimento traga para sua família e para a nossa sociedade uma criança com potencial para desfrutar uma vida plena e longa.

 

 

professoras Ruth FernandaPor Ruth Guinsburg

Professora da Disciplina de Pediatria Neonatal da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp). Membro do International Liasion Committee on Resuscitation Neonatal Life Support Taskforce. Coordenação Geral do Programa de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria (PRN-SBP).

 

Maria Fernanda Branco de Almeida

Professora da Disciplina de Pediatria Neonatal da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp). Membro do International Liasion Committee on Resuscitation Neonatal Life Support Taskforce. Coordenação Geral do Programa de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria (PRN-SBP).

 

 
 

 

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