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Obesidade é uma doença e deve ser tratada como tal

Publicado: Quarta, 03 de Março de 2021, 21h32 | Acessos: 12370

4 de março é Dia Mundial da Obesidade

Desde o ano passado, a Federação Internacional da Obesidade alterou o Dia Mundial da Obesidade para 4 de março – a data adotada anteriormente era 11 de outubro. A celebração incentiva soluções práticas para ajudar as pessoas a alcançar e manter um peso saudável, realizar tratamento adequado e reverter a crise da obesidade.

 

O que é a obesidade?

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade é caracterizada pelo excesso de gordura corporal depositada em diferentes partes do corpo, podendo desencadear um baixo grau de inflamação, levando à coexistência de vários fatores de risco para a saúde, bem como a associação com outras doenças, entre estas: diabetes, dislipidemias, síndrome metabólica, aterosclerose, doenças cardiovasculares, doenças pulmonares, esteatose hepática não alcoólica, distúrbios do sono, transtornos do humor, e mais recentemente a Covid-19.

 

obesidade figura 1

Obesidade e doenças associadas, onde o processo inflamatório subclínico crônico é um forte link entre elas. (Crédito: Arquivo Pessoal)

 

Como é feito o diagnóstico 

O diagnótico da obesidade é realizado a partir da avaliação do estado nutricional pelo cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), que considera as medidas do peso corporal e estatura do indivíduo. 

É calculado dividindo o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metros): IMC = Peso ÷ (Altura × Altura)

Além do IMC, avaliações de composição corporal e circunferência de cintura podem complementar o diagnóstico da obesidade.

 

      imc2

(Crédito: Germed Siga)

 

Fatores associados e qualidade de vida

De fato, a obesidade é um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, sendo estas as que mais levam a óbito e mortes precoces.

Estudos demonstraram que boa parte das pessoas que passam por tratamentos para o emagrecimento, voltam a aumentar o peso corporal (efeito rebote ou io-iô), mesmo para aqueles que optam por cirurgia bariátrica. Nesse sentido, é importante mencionar que a obesidade é decorrente de múltiplos fatores, o que dificulta o seu tratamento. De forma simplificada os fatores relacionados a fisiopatologia da obesidade podem ser endógenos (genéticos, psicológicos e associados a alterações do eixo neuroendócrino-metabólico) e exógenos (hábitos alimentares, sedentarismo, qualidade do sono), devendo os fatores exógenos serem controlados, visando o combate à obesidade.

 

fatores obesidade

Fatores endógenos e exógenos associados ao desenvolvimento da obesidade. (Crédito: Arquivo Pessoal)

 

Além disso, a obesidade pode reduzir não somente a qualidade de vida, mas também o tempo de vida útil. Foi verificado que indivíduos com obesidade grau III (índice de massa corporal ≥ 40 kg/m²) possuem maior risco de morte em idades mais jovens por doenças cardíacas, câncer e diabetes. Ainda, foi identificado que a expectativa de vida reduz em até 6,5 anos para pessoas com IMC entre 40 e 44,9; e de 13,7 anos para pessoas com IMC acima 55.

Esta doença pode se apresentar de forma periférica (depósitos de gordura na região gluteofemoral e em membros inferiores - obesidade Ginóide) e central (depósitos de gordura na região abdominal - obesidade Andróide) sendo esta última mais prejudicial à saúde, pois ocorre o aumento da quantidade de gordura visceral responsável por elevada produção de marcadores inflamatórios e liberação de ácidos graxos livres na circulação, facilitando o acúmulo de gordura em outros órgãos.

 

forma periferica obesidade

Diferentes regiões corporais onde podem ocorrer aumento do depósito de gordura. (Crédito: Arquivo Pessoal)

 

Melhor prevenir do que remediar

Para o seu tratamento sugere-se equipes interdisciplinares, incluindo médicos, nutricionistas, fisiologistas do exercício físico, fisioterapeutas e psicólogos, dependendo da gravidade. Portanto, a obesidade é um forte problema de saúde pública, e por isto, é melhor prevenir desde a infância e adolescência, do que remediar no decorrer da vida, considerando que a obesidade pode não ter cura, apenas controle. Estudos prévios do grupo do qual as autoras fazem parte, baseados em mudanças duradouras no estilo de vida, demonstraram que o tratamento clínico interdisciplinar foi efetivo em reduzir a prevalência de obesidade e também de vários fatores de risco associados.

 

gráfico obesidade estudo

Redução significativa das comorbidades associadas à obesidade após tratamento interdisciplinar de adolescentes, realizado pelo Grupo de Estudos da Obesidade – GEO-Unifesp. (Crédito: Arquivo Pessoal)

 

Vale destacar que todas essas mudanças devem ser orientadas e supervisionadas por profissionais da área de saúde.

As mudanças no estilo de vida são fatores essenciais para promover o emagrecimento e prevenir a obesidade. Nesse sentido, a prática regular de exercícios físicos associada à melhora do hábito alimentar são comportamentos que devem ser incorporados na rotina.  Segundo recomendações do Colégio Americano de Medicina do Esporte, a realização de pelo menos 150 minutos/semana de atividade física na intensidade moderada é capaz de promover benefícios para saúde de indivíduos com sobrepeso e obesidade, entanto, o acúmulo de 200-300 minutos/semana é capaz de promover em longo prazo a redução do peso corporal. Incorporar o exercício físico em pelo menos 3 dias/semana, adquirir escolhas que possam reduzir o comportamento sedentário, como por exemplo, optar pelo uso de escadas ao invés de elevadores, descer um ponto antes do ônibus e ir caminhando até o seu destino são atitudes que quando possíveis de serem realizadas irão repercutir em benefícios para o seu organismo.

Da mesma forma, a atenção para a escolhas e atitudes alimentares é essencial para sucesso na prevenção e tratamento da obesidade. Optar por alimentos in natura ou minimamente processados evitando o consumo de fast food, aumentar a ingestão de frutas, vegetais e cereais integrais, ter regularidade nos intervalos realizados entre as refeições e sempre que possível criar um planejamento de rotina alimentar para semana são mudanças benéficas que devem ser implementadas. 

 

A obesidade no mundo

Estima-se que mundialmente, 604 milhões de adultos e 108 milhões de crianças apresentam diagnóstico de obesidade. Os últimos dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), apontam que a obesidade atinge cerca de 6,7% dos adolescentes. Já entre os adultos, cerca de 96 milhões de pessoas, ou seja 60,3% apresentam excesso de peso e 26,8% obesidade com maior prevalência entre as mulheres. Ao longo de 17 anos a prevalência de obesidade mais que dobrou entre a população adulta brasileira, passando de 9,6% para 22,8% entre os homens e de 14,5% para 30,2% nas mulheres. Assim, o desenvolvimento de estratégias clínicas e implementação de medidas públicas devem sempre serem estimuladas para a prevenção e tratamento da obesidade.  

 

Obesidade e Síndrome - ebook

ebookNo decorrer das últimas décadas, as áreas de Nutrição e Educação Física tem se destacado no combate à obesidade e síndrome metabólica através da inserção de estratégias não medicamentosas. Isto é de extrema importância, uma vez que para tratamento destas doenças poucos recursos medicamentosos podem ser usados em longo prazo.

É de extrema importância a qualificação profissional para o enfrentamento dessas doenças à nível de saúde primária no sistema de saúde. Visando isto, foi desenvolvido o ebook "Obesidade e Síndrome metabólica na adolescência - fundamentos para o profissional de saúde" (clique na imagem para acessar), uma obra pautada nas experiência [das autoras] de mais de trinta anos no tratamento da obesidade e suas consequências, afim de contribuir com a educação em saúde de jovens estudantes universitários, bem como auxiliar profissionais de saúde já atuantes no mercado de trabalho.

Integram o desenrolar da obra os seguintes tópicos: etiologia, fisiopatologia, metabolismo do tecido adiposo, balanço energético, avaliação da composição corporal e adiposidade visceral, conduta nutricional, prescrição do exercício físico, bem como casos clínicos, visando à melhor solução de problemas e a condução prognóstica para o tratamento não medicamentoso da obesidade na adolescência.

 

Referências

  • Dâmaso, A.R; Campos, RMS; Lambertucci, A.C.  Obesidade e síndrome metabólica na adolescência - Fundamentos para os profissionais da saúde. São José dos Pinhais: Editora Brazilian Journals, 2021.
  • Kitahara CM et al.  Association between class III obesity (BMI of 40-59 kg/m2) and mortality: a pooled analysis of 20 prospective studies. PLoS Med. 2014 Jul 8;11(7):e1001673.
  • Dâmaso AR et al. Multidisciplinary approach to the treatment of obese adolescents: effects on cardiovascular risk factors, inflammatory profile, and neuroendocrine regulation of energy balance. Int J Endocrinol. 2013;2013:541032.
  • Printz C. Extreme obesity may shorten life expectancy up to 14 years. Cancer. 2014 Dec 1;120(23):3591.
  • Apovian CM. Obesity: definition, comorbidities, causes, and burden. Am J Manag Care. 2016 Jun;22(7 Suppl):s176-85.
  • World Health Organization (WHO) [Internet]. Obesity and Overweitgh. Fact sheet N°311.
  • Geneva: WHO. [fev. 2021] Available from: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs311/en/.
  • Donnelly JE et al. American College of Sports Medicine Position Stand. Appropriate physical activity intervention strategies for weight loss and prevention of weight regain for adults. Med Sci Sports Exerc. 2009 Feb;41(2):459-71.
  • Pate RR et al.  A recommendation from the Centers for Disease Control and Prevention and the American College of Sports Medicine. JAMA. 1995 Feb 1;273(5):402-7.
  • GBD 2015 Obesity Collaborators et al. Health Effects of Overweight and Obesity in 195 Countries over 25 Years. N Engl J Med. 2017 Jul 6;377(1):13-27.
  • Pesquisa nacional de saúde: 2019: atenção primária à saúde e informações antropométricas: Brasil / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. - Rio de Janeiro: IBGE, 2020.

 

Autoras

FOTOGRAFIA ANA E RAQUEL

Ana Dâmaso

Educadora Física com mestrado em Biodinâmica do Movimento Humano pela Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo (EEFE/USP), doutora em Nutrição e Pós-Doutorado em Ciências Pediátricas pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp). Livre docente em Obesidade Clínica e Experimental pela EPM/Unifesp. Membro do Departamento de Educação Física da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso). Professora do Departamento de Biociências da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - campus Baixada Santista. Outras informações, clique aqui

Raquel Campos

Fisioterapeuta com especialização em Atividade Física, Exercício Físico e os Aspectos Psicobiológicos pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Professora Afiliada do Departamento de Biociências da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - campus Baixada Santista. Outras informações, clique aqui 

 

 

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