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Madre Marie Domineuc - sua vida e suas obras constituem exemplo de sublime amor ao próximo

Publicado: Segunda, 29 de Agosto de 2022, 12h34 | Acessos: 44908

Seu lema era nunca recusar ninguém que precisasse de auxílio

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madre marieMadre Marie Domineuc, nome religioso de Jeanne Josephine Roquet, nasceu na Bretanha, França, em 15 de novembro de 1911. Com 18 anos entrou para a Congregação das Franciscanas Missionárias de Maria, em Chatelet, na França. Graduou-se pela Escola de Enfermagem da Liga contra a Tuberculose, em Paris, recebendo o diploma de enfermeira e assistente médico-social, em 1932. Nessa mesma cidade fez, em 1933, um outro curso que lhe deu os títulos de visitadora de higiene social e enfermeira de puericultura.

Foi enviada para o Brasil em 13 de outubro de 1935, aos 23 anos, onde fez a Profissão de Fé. Na cidade de São Paulo começou sua vida profissional do Dispensário de Puericultura da Liga das Senhoras Católicas. Foi aí que a encontrou o Prof. Álvaro Guimarães Filho, na época vice-diretor da Escola Paulista de Medicina (EPM) e que estava procurando uma enfermeira para dirigir a Escola de Enfermagem que essa Instituição desejava criar junto ao Hospital São Paulo (HSP).

Dos entendimentos entre Guimarães Filho, o Arcebispo de São Paulo Dom José Gaspar de Afonseca e Silva e a Congregação das Franciscanas Missionárias de Maria resultaram dois fatos de grande importância: a colaboração desta última ao HSP e a criação, instalação e manutenção da Escola de Enfermeiras desse hospital, autorizada a funcionar no dia 4 de outubro de 1938. Madre Domineuc, por ser estrangeira, não pode assumir oficialmente sua direção, mas sempre esteve à frente de suas atividades e sua influência junto às alunas foi acentuada e marcante. Criado o curso de enfermagem obstétrica, por iniciativa ainda do Prof. Guimarães Filho, Madre Domineuc por ele se diplomou, em 1952.

 

Madre Domineuc Lemos Torres

Grupo de alunas e enfermeiras do Hospital São Paulo em companhia do Prof. Lemos Torres. Na 1ª fila da esquerda para a direita: Adele Salvatore, Madre Domineuc, Prof. Lemos Torres, Silvia Romero e Juliana Schmidtke; na 2ª fila: Adalgiza de Oliveira, Aurea Vieira da Cruz, Ecléa Sanches, Romilda Cerqueira do Amaral Filha e Jacyra  Cintra  Monteiro. (Crédito: CeHFi/Unifesp)

 

Amparo Maternal

Estimulada pelo verdadeiro espírito franciscano, sua vida e suas obras constituem exemplo de sublime amor ao próximo, traduzido no serviço desinteressado à maternidade e à infância desvalidas.

 

A partir de sua atuação na Clínica Obstétrica do Hospital São Paulo nasce sua maior obra, o Amparo Maternal, uma instituição que, desde 20 de agosto de 1939 até os dias atuais, presta assistência social e de saúde às mulheres no período gravídico puerperal. Sua vida confunde-se com a história dessa Instituição.

Gerações de enfermeiras, a maioria formada pelas escolas de São Paulo, incluindo a Universidade de São Paulo (USP), foram beneficiadas com estágio de enfermagem obstétrica no Amparo Maternal, onde aprenderam muito com seus professores, mas muito mais com o exemplo da Madre.

 

contrução amparo

Foram 11 longos e sofridos anos até que a obra ficasse pronta. A incansável madre Marie Domineuc — que se mudou com as albergadas para o local durante a construção — enfrentou a falta de recursos, o atraso das obras e, ainda, os preconceitos. Até que, em 1954, o prédio foi inaugurado pelo então governador Adhemar de Barros, embora só tenha ficado totalmente pronto em 1964. (Fonte: Estação Saber)

 

Atuação destacada

A filosofia assistencial de “não recusar ninguém”, acolhendo mães, sobretudo, aquelas sem moradia e as não aceitas socialmente, levou-a a ser incompreendida por muitos, amada e respeitada, por outros.

 

Madre Domineuc contribuiu na formação de várias gerações de enfermeiras obstétricas. Foi idealizadora do Congresso Brasileiro de Enfermagem e sua participação sempre foi de forma contundente, gerando discussões acirradas.

Nas décadas 1950 e 1960, participou em Comissões da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), como as de Legislação, Assistência e Proteção à Maternidade e Infância, em especial, nos debates obstinados sobre os currículos de enfermagem e da obstetrícia, o preparo e o exercício profissional da enfermeira obstétrica e da obstetriz.

 

Fonte: Valle, J. R. - A Escola Paulista de Medicina - Dados Comemorativos de seu 40º Aniversário (1933-1973) e Anotações Recentes - Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, 1977. 

 

Este artigo faz parte do "Memórias do Campus São Paulo" - clique aqui para acessar outras postagens e conhecer este projeto.

 

 

 

 

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