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Madre Maria das Dores, 1ª diretora efetiva da Escola de Enfermeiras do Hospital São Paulo

Publicado: Segunda, 06 de Fevereiro de 2023, 16h38 | Acessos: 8018

 A EEHSP, posteriormente Escola Paulista de Enfermagem, ficou sob a gestão da religiosa de 1939 a 1944

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Madre Maria das Dores, nome religioso de Lygia Rabello Dias, foi a primeira diretora efetiva nomeada para dirigir a Escola de Enfermeiras do Hospital São Paulo (EEHSP), em novembro de 1939. Por determinação regimental a diretora tinha que ser brasileira nata, desta forma, a francesa madre Maria Domineuc ficou como diretora interina da Escola no período de 12 de fevereiro a novembro de 1939.  

A diretora era enfermeira diplomada pela Escola Anna Nery do Rio de Janeiro (EAN), e foi membro do Instituto das Franciscanas Missionárias de Maria – congregação colaboradora dos diretores da Escola Paulista de Medicina (EPM) na criação da Escola de Enfermeiras.

Madre Maria das Dores fez parte do Conselho Diretor da EEHSP, constituído pelo diretor e professor da EPM, o médico Álvaro de Lemos Torres; pelo vice-diretor, o professor de obstetrícia Álvaro Guimarães Filho, por dois professores, Pedro de Alcântara e João Moreira da Rocha e por duas monitoras, madre Maria Domineuc e madre Maria de Fontenelle.

 

madre maria das dores escadaria formatura

Madre Maria das Dores, em destaque, durante a formatura da 1ª turma de formandas da Escola de Enfermeiras do Hospital São Paulo, em 17 de setembro de 1942. (Imagem: Acervo iconográfico do CeHFi/Unifesp)

 

Em seu tempo, as lideranças se dedicaram intensamente, não apenas na construção do curso, mas também da profissão de Enfermagem no Brasil, por suas participações ativas na fundação e organização de associações de classe, nacionais e internacionais, nos eventos e reuniões de Escolas de Enfermagem no Brasil, além dos colegiados da EEHSP.

Madre Áurea Vieira da Cruz em entrevista concedida ao projeto “75X75: 75 histórias de vida para contar os 75 anos da EPM/Unifesp” (link),  comentou sobre a diretora da EEHSP.

"Era uma pessoa de saúde muito frágil. São Paulo, naquele tempo, era muito fria, e ela estava morando em um prédio de cimento armado, que não estava totalmente construído. Alguns lugares não tinham janela, era uma ventania... Ela adoeceu e não pôde continuar. Isso foi em 1944”, discorreu a egressa recém-formada da EEHSP. O prédio em questão era o Hospital São Paulo que estava em obras e servia de residência para as discentes do curso de Enfermagem da EEHSP.

Em relato feito pela professora Alba Lúcia Bottura Leite de Barros, docente da Escola Paulista de Enfermagem (EPE), após consultas em documentos pertencentes ao acervo da EPE, madre Maria das Dores encontrava-se ausente nas quintas e sextas sessões do Conselho Diretor da Escola de Enfermeiras do Hospital São Paulo ocorridas em janeiro e junho de 1940, evidenciando o período que começou a adoecer – a madre foi citada nos documentos como diretora até 4 de março de 1942.

Madre Marie Domineuc teve seu diploma revalidado em 23 de janeiro de 1940, desta forma ela pôde substituir legalmente madre Maria das Dores durante suas ausências.

 

Retrato na galeria de diretores

Durante sua gestão como chefe do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo, a professora Alba soube do adoecimento da diretora através de conversa com a madre Áurea – religiosa que substituiu madre Maria das Dores quando ela deixou a direção da Escola.

“O adoecimento da madre Maria das Dores me foi relatado pela madre Áurea, quando eu ocupava o cargo de chefia do Departamento de Enfermagem. A religiosa disse que faltava um retrato na galeria.”

A enfermeira pertencente ao quadro de docentes do Departamento de Enfermagem Clínica e Cirúrgica da EPE encontrou um retrato no formato 3x4 entre os registros fotográficos guardados na Diretoria e providenciou a gravura abaixo, incorporada à galeria de diretores localizada na Sala Madre Áurea. A arte foi realizada por Marcelo Mathias, genro de Alba.

 

retrato da madre mdores

Gravura de Maria das Dores (Imagem: Loane Carvalho/ComunicaSP)

 

Reconhecimento da EEHSP

O regimento do curso e a criação da Escola de Enfermeiras foram aprovados nos termos do parecer n.º 380 do Conselho Nacional de Educação (CNE), em 13 de novembro de 1939, aplicável à EEHSP e aos cursos de Enfermagem Obstétrica e de Auxiliares Técnicos de Laboratório. A inspeção que antecedeu ao parecer, feita por Laís Moura Netto dos Reys, então diretora da Escola Anna Nery (EAN), concluiu que a EEHSP preenchia as condições exigidas pelo governo para funcionar. Entre as condições, algumas diziam respeito à Escola Paulista de Medicina, como o compartilhamento de instalações e docentes pelos estudantes de medicina e de enfermagem. Outros requisitos referiam-se ao funcionamento da própria EEHSP, onde “a técnica de enfermagem é dada por enfermeiras diplomadas”, assim como as monitoras também o eram. Três outras constatações feitas na inspeção embasaram o parecer positivo do CNE: o fato de a enfermeira diretora da Escola – madre Maria das Dores – ser brasileira e diplomada pela Anna Nery; o funcionamento regular e ininterrupto da Escola; e o atendimento ao padrão Anna Nery no programa e nas matrículas.

Em 24 de março de 1942, a Escola de Enfermeiras do Hospital São Paulo foi uma das três primeiras escolas de enfermagem brasileiras equiparadas à EAN, sendo, portanto, reconhecida oficialmente pelo governo federal como instituição que preparava enfermeiras no modelo norte-americano de ensino de enfermagem.

 

Fontes:

Lucia Marta Giunta da Silva; Janine Schirmer. 80 Anos do Curso de Graduação em Enfermagem – a construção de um legado. Acta Paulista de Enfermagem, vol. 32, núm. 2, 2019

Alba Lúcia Botura Leite de Barros, docente da Escola Paulista de Enfermagem (EPE)

Márcia Barbieri e Jaime Rodrigues - Memórias do Cuidar - 70 anos da Escola Paulista de Enfermagem

 

Este artigo faz parte do "Memórias do Campus São Paulo" - clique aqui para acessar outras postagens e conhecer este projeto.

 

 

 

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