Ir direto para menu de acessibilidade.
Início do conteúdo da página

Programa da Unifesp oferece apoio a pessoas em luto

Publicado: Segunda, 21 de Novembro de 2022, 08h14 | Acessos: 1901

Atendimentos via SUS são destinados a crianças, adolescentes e adultos

 

Por Daniel Patini

Desde maio de 2020, o Programa de Acolhimento ao Luto (Proalu) do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental (Caism/Unifesp) oferece atendimentos a pessoas com mais de 18 anos de todo o país, por meio do acolhimento breve ao luto on-line pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Inicialmente voltado àqueles(as) que perderam seus entes queridos vítimas de covid-19, a partir de 2021, o Proalu começou a atender pessoas enlutadas – crianças, adolescentes e adultos – por perdas decorrentes de todos os tipos de morte, incluindo as que passaram por perdas gestacionais.

"No momento, os atendimentos das crianças e adolescentes, o que chamamos de pequenos(as) enlutados(as), ainda estão acontecendo apenas presencialmente no Caism, localizado na Vila Mariana, em São Paulo, mas estamos desenvolvendo uma plataforma específica para podermos acolhê-los(as) de forma virtual também, o que esperamos conseguir colocar em prática em 2023", relata a psicóloga Samantha Mucci, coordenadora do Proalu e professora do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) - Campus São Paulo.

Os atendimentos são realizados por psicólogos(as) voluntários(as), psiquiatras colaboradores(as) e residentes de Psicologia, Psiquiatria e de Medicina da Saúde da Família. Eles(as) são treinados(as), e os atendimentos são supervisionados semanalmente por uma equipe especializada em luto. Ao todo, incluindo a docente coordenadora e um técnico-administrativo em educação, o quadro funcional do programa é composto por quase 80 profissionais.

Como funcionam os atendimentos e os agendamentos

Para os indivíduos maiores de 18 anos, é realizado atendimento em acolhimento breve ao luto (quatro encontros on-line) ou em psicoterapia de luto (12 encontros virtuais), e às crianças e adolescentes, é oferecida ludoterapia em luto presencial (16 encontros, sendo 12 encontros consecutivos, dois quinzenais e dois mensais). Já com os(as) cuidadores(as) sobreviventes, ocorrem grupos de acolhimento e orientação ao cuidado com o(a) pequeno(a) enlutado(a) por meio da Internet (oito encontros).

Os agendamentos são realizados pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ou pelo site www.proalu.com.br. A própria pessoa enlutada ou um(a) profissional da saúde pode enviar uma mensagem com pedido de atendimento, contendo o nome, número da carteira do SUS e celular para a equipe de triagem entrar em contato. "Os atendimentos aos(às) pequenos(as) enlutados(as) estão mais demorados, mas estão sendo realizados", ressalta a coordenadora.

O que é o luto e quando procurar ajuda

A professora Samantha Mucci descreve o luto como um processo natural pelo qual todos(as) passamos ao longo da vida, diante da ruptura de um vínculo significativo. "O(a) enlutado(a) precisa ressignificar sua relação com a pessoa que morreu, com a sua vida e sua finitude. A maneira como cada um(a) vivencia o seu luto é muito singular e é influenciado pela maneira e momento de vida que se deu a perda, pela personalidade, pelos valores e crenças da pessoa enlutada e, especialmente, pela qualidade da relação que ela tinha com a pessoa que morreu", detalha. Além disso, segundo ela, o tempo do processo de luto também é muito subjetivo e precisa ser respeitado. "Em um processo de luto natural, a pessoa enlutada vivenciará momentos de tristeza, saudade, lembrará daquela que morreu, assim como vivenciará momentos de retomada de sua vida com essa ausência".

Porém, a coordenadora do Proalu alerta que entre 10 e 15% das pessoas enlutadas podem apresentar maior dificuldade em lidar com seu processo de luto, apresentando um sofrimento intenso e duradouro que pode tirar o seu interesse em retomar a vida e realizar até mesmo atividades que anteriormente gostava muito. "Ela pode não se sentir compreendida pelas pessoas mais próximas, ter vontade de se isolar, vivenciar sentimentos de tristeza, culpa e pesar intensos e persistentes, acompanhados por pensamentos ruminativos ou imagens insistentes do(a) ente querido(a) falecido(a) e por um sentimento de descrença ou incapacidade de aceitar a realidade da morte da pessoa. Nesses casos, é preciso buscar ajuda especializada", orienta a psicóloga.

"Acreditamos que a psicoeducação em luto é muito importante para o indivíduo enlutado entender o que está vivenciando. No site do Proalu e no perfil do Instagram, temos dicas de livros, filmes, podcasts, assim como textos elaborados pela equipe do programa e um espaço de memórias, para o qual a pessoa enlutada pode nos enviar seu memorial para publicarmos e facilitar a troca de informação sobre o processo que estão vivenciando. Há também a coluna mensal com textos da psicanalista Marina Smith, que promovem reflexões sobre o processo de vida e morte. Esses espaços são recursos para os(as) profissionais da saúde entenderem mais sobre terminalidade e processo de luto. Por fim, estamos produzindo cartilhas e manuais que devem ser lançados até o final deste ano e disponibilizados nas redes sociais", ela completa.

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 
Categoria:

Origem da Escola de Enfermeiras do Hospital São Paulo, atual Escola Paulista de Enfermagem

 Uma iniciativa dos Álvaros - Guimarães Filho e Lemos Torres

Clube do Saber realiza ação no Metrô de São Paulo sobre o Novembro Azul

Campanha #ElaTemPróstata tem como foco a prevenção do câncer de próstata em mulheres trans

Segundo Festival de Talentos da EPM revela seus vencedores

Comunidade mostrou suas habilidades artísticas

Helena Nader recebe homenagens por sua contribuição em favor da ciência e da educação

Docente foi homenageada por três instituições nos últimos dias

Fim do conteúdo da página