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Estudo da EPM/Unifesp e USP sugere que exercício físico resistido pode prevenir sintomas de Alzheimer

Publicado: Quinta, 06 de Julho de 2023, 17h10 | Acessos: 4964

Resultados demonstram que o exercício desempenha um papel no alívio dos sintomas e destaca os efeitos benéficos como um tratamento complementar

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Um estudo realizado pela Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), publicado na revista Frontiers in Neuroscience, mostrou como exercício físico resistido (ER) pode prevenir a doença de Alzheimer (DA), ou pelo menos retardar o aparecimento dos sintomas, e serve como uma terapia simples e acessível para pacientes com Alzheimer.

"O exercício físico resistido se confirma cada vez mais como estratégia efetiva para evitar o surgimento dos sintomas de Alzheimer esporádica [não associada a uma mutação herdada], que é multifatorial e pode estar relacionada ao envelhecimento, ou para retardá-los nos casos da forma familiar da doença. A principal possível razão para isso é sua ação anti-inflamatória", resume Beatriz de Oliveira Monteiro, docente da Disciplina de Neurofisiologia e Fisiologia do Exercício da EPM/Unifesp e coordenadora do trabalho. 

 

exercicio resistido

Experimentos mostram que quatro semanas de treino com pesos foram suficientes para reverter alterações comportamentais e físicas características da doença (Imagem: Reprodução/Internet)

 

O estudo

Para observar os efeitos neuroprotetores dessa prática, pesquisadores dos departamentos de Fisiologia e Psicobiologia da EPM/Unifesp e de Bioquímica do Instituto de Química da USP (IQ-USP) conduziram experimentos com camundongos transgênicos que possuem uma mutação responsável pelo acúmulo de placas beta-amiloide no cérebro. Essas proteínas se agrupam no sistema nervoso central, comprometem a transmissão de sinapses e causam danos aos neurônios, consideradas marcas típicas da doença de Alzheimer.

Durante o estudo financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foram separados em grupos e submetidos a uma rotina de exercícios, em uma escada de 110 centímetros de altura, com inclinação de 80° e degraus separados por dois centímetros de distância. Em suas caudas foram acopladas cargas correspondentes a 75%, 90% e 100% de seu peso corporal. O experimento imitou alguns tipos de treinamento de resistência realizados por humanos em academias de ginástica.

“Isso confirma que a atividade física pode reverter alterações neuropatológicas que causam os sintomas clínicos da doença”, diz Henrique Correia Campos.

Ao final de um período de treinamento de quatro semanas, um exame de sangue foi feito e constatou-se que os níveis de corticosterona (hormônio equivalente ao cortisol em humanos, cujo aumento está relacionado ao estresse e, consequentemente, a um risco maior de desenvolver a doença de Alzheimer), foram medidos. As análises mostraram que o teor desse hormônio nos roedores treinados foi normalizado, igualando-se ao do grupo de controle, composto por animais saudáveis (sem a mutação). A análise do cérebro revelou também diminuição na formação de placas beta-amiloide.

“Isso confirma que a atividade física pode reverter alterações neuropatológicas que causam os sintomas clínicos da doença”, diz Henrique Correia Campos, coautor do estudo e doutorando do Programa de Pós-graduação em Neurologia e Neurociências da EPM.

O mesmo tipo de exercício também reduziu a hiperlocomoção, um sintoma de ansiedade, nos camundongos com o fenótipo relacionado ao Alzheimer.

 

Revisão 

O trabalho em modelo animal teve como base uma revisão de estudos publicada pelo mesmo grupo da Unifesp na Frontiers in Neuroscience, que fornece evidências clínicas de que exercícios físicos resistidos são de fato benéficos para minimizar o déficit nas funções cognitivas e comportamentais causado pela doença de Alzheimer e podem ser propostos como terapia alternativa acessível.

“Além do paciente, a doença de Alzheimer afeta também toda a família, especialmente se ela for de baixa renda”, diz Caroline Vieira Azevedo, autora do artigo de revisão. “Os dois trabalhos trazem informações que podem ser usadas para estimular a criação de políticas públicas. Imagine a redução de gastos ao se retardar em dez anos o aparecimento de sintomas em pacientes idosos.”

Também participaram da investigação pesquisadores das universidades Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Federal de Ouro Preto (Ufop).

O artigo Neuroprotective effects of resistance physical exercise on the APP/PS1 mouse model of Alzheimer’s disease pode ser acessado em: www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnins.2023.1132825/full.

Já o estudo The effects of resistance exercise on cognitive function, amyloidogenesis, and neuroinflammation in Alzheimer’s disease está disponível em: www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnins.2023.1131214/full.

 

Com informações de: Campos, H. C., et al. (2023) Neuroprotective effects of resistance physical exercise on the APP/PS1 mouse model of Alzheimer’s disease. Frontiers in Neuroscience. doi.org/10.3389/fnins.2023.1132825; Resistance training could be a simple and affordable therapy for Alzheimer's patients; e Estudo sugere que exercício físico resistido, como musculação, pode prevenir sintomas de Alzheimer

 

 

 

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